Caxambu

HISTÓRICO

HISTÓRICO 2019-02-13T22:23:54+00:00

Caxambu 1891 – Fonte: Monat, H. Caxambu. Rio de Janeiro: Luiz Macedo, 1894.

Até o final do século XVII, com a chegada da Bandeira de Lourenço Castanho Taques, que seguia a trilha de Felix Jaques rumo ao vale do Rio Verde, as imediações do Morro de Caxambum, como era conhecido na época, eram habitadas pelos índios Cataguases.

Aos índios nativos, segundo o historiador Antônio Maurício Ferreira, deve-se à origem do nome Caxambu, que na língua Tupy, falada por eles, significa “bolhas a ferver” ou “água que borbulha” (Catã-mbu).

Há, entretanto quem diga que Caxambu deriva de duas palavras africanas Cacha (tambor) e mumbu (música), que no século XIX designavam os instrumentos e a própria dança ou batuque dos escravos.  Pode-se ainda considerar a relação do nome com o formato do morro, que lembra o formato (cônico) de um tambor africano.

As primeiras sesmarias datam de 1706 e pertenciam a Carlos Pedroso da Silveira e seu genro Francisco Alves Correia. Em 1714, o lugarejo era uma paragem conhecida como Cachambum. Nesta Época Minas Gerais pertencia à Capitania de São Paulo, eram divididas em três comarcas, sendo a cidade pertencente à Comarca do Rio das Mortes (São João Del Rei). Em 1814, conta-se que havia, no povoado, apenas duas fazendas: a Das Palmeiras e a Caxambu.

Junto à Fazenda Caxambu foi construída uma capela em devoção a Nossa Senhora dos Remédios, e em torno desta surgiu o povoado que mais tarde passou a ser conhecido como Nossa Senhora dos Remédios de Caxambu, depois “Águas Virtuosas de Baependi”, em seguida “Águas Virtuosas de Caxambu, e finalmente, Caxambu”.Há quem diga que foi nesta época que se tomou conhecimento, pela primeira vez, da existência das fontes. Outros afirmam, entretanto, que tal fato já teria ocorrido em 1762 ou 1772.

Em 1861, o governador da Província decidiu tomar as primeiras providências para o melhoramento local tendo como objeto transformar Caxambu em uma estância hidromineral tão boa quanto as européias.

Estabelecimento de banhos em 1868 – Fonte: Monat, H. Caxambu. Rio de Janeiro: Luiz Macedo, 1894.

Em 1868 chega a Caxambu a princesa Isabel, seu esposo Gastão de Orleans, o Conde D’Eu, e uma comitiva, atraída pela fama das águas. A princesa buscava a cura de uma suposta infertilidade. Ficaram durante um mês, partindo em 17 de dezembro. Durante sua estadia foi lançada pela princesa Isabel, a pedra fundamental da Igreja, com a promessa de sua construção, caso a herdeira viesse a engravidar. Através das águas a princesa curou-se da anemia e engravidou. A Igreja Santa Isabel foi construída e hoje é um dos principais patrimônios de Caxambu, sendo tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA), junto do Parque das Águas (maior complexo hidromineral do planeta).

O ano de 1875 foi de grande importância para o povoado, pois além de tornar-se Distrito de Baependi, as virtudes curativas de suas águas foram reconhecidas, tendo sua exploração concedida pelo governo da Província de Minas a empresas particulares. Nesta época (1881) a cidade contava com apenas 200 habitantes efetivos, 130 edificações e iluminada por 21 lampiões a querosene.

Em finais de 1901 é criada a Vila de Caxambu (emancipação de Caxambu: 16/09/1901). Época de grande desenvolvimento foi neste período que foram feitas as principais obras de infra-estrutura, como serviços de água e esgoto, aberturas e calçamento de ruas, avenidas e praças, canalização do Ribeirão Bengo, etc. Finalmente, em 18 de setembro de 1915, Caxambu é elevada à categoria de cidade, abrangendo também, até 1938, a área do atual município de Soledade. Caxambu é o maior complexo hidromineral do planeta, e considerada a mais bela de todas as Estâncias do Circuito das Águas.

Fonte D. Pedro em 1894 – Fonte: Lemos, Maria de Lourdes. Fontes e encantos de Caxambu. Rio de Janeiro: Grypho edições, 1998.

Fonte D. Isabel em 1894 – Fonte: Monat, H. Caxambu. Rio de Janeiro: Luiz Macedo, 1894.

Fonte D. Leopoldina em 1894 – Fonte: Monat, H. Caxambu. Rio de Janeiro: Luiz Macedo, 1894.

Fonte Conde D’Eu em 1894 – Fonte: Monat, H. Caxambu. Rio de Janeiro: Luiz Macedo, 1894.

Fonte Viotti em 1894 – Fonte: Monat, H. Caxambu. Rio de Janeiro: Luiz Macedo, 1894.

As Fontes Mayrink e Chalé da Fonte Duque de Saxe em 1894 – Fonte: Monat, H. Caxambu. Rio de Janeiro: Luiz Macedo, 1894.

 

CRONOLOGIA

1747 » Estácio da Silva, morador da Fazenda Caxambu, pede permissão para construir capela em suas terras e obtém provisão em 1748.

1759 » Caxambu é povoado, um bairro de Baependi, de acordo com registro no livro de óbitos daquele município.

1762 (ou 1772) » Data citada no livro Baependi, de José Alberto Pelúcio, como da descoberta das fontes, segundo lembrança de Teixeira Leal, em 1842.

1814 » Primeiras notícias sobre o descobrimento das águas.

1844 » Feliciano Germano de Oliveira Mafra desbrava a mata, encontra 3 fontes e começa a povoação do local onde hoje fica a cidade.

1849 » Cura do vigário de Barbacena, que repercute por toda a província. A partir dessa data uma série de personalidades conhecida na época visita Caxambu para se tratarem de doenças e começa a crescer a fama do lugar.

1864» João Constantino faz uma casa de banhos sobre fontes que brotavam no lugar ocupado, hoje, pela fonte D. Pedro – Livro de H. Monat.

1868 » Chega a Caxambu a princesa Isabel, seu esposo Conde D’Eu e uma comitiva, atraída pela fama das águas. A princesa buscava a cura de uma suposta infertilidade. Ficam durante um mês, partindo em 17 de dezembro. Lançada, em novembro, pela princesa Isabel, a pedra fundamental da Igreja Santa Isabel da Hungria, com a promessa de sua construção, caso a herdeira engravidasse.

1873 » Construção da estrada “zig-zag” que leva ao topo do morro Caxambu, realizada com recursos de moradores e freqüentadores da estância.

1886 » É organizada a Cia. das Águas Minerais de Caxambu e Contendas, sob a presidência do Barão de Maciel, tendo como diretores o Dr. Polycarpo Viotti e o Cel. Alexandre Pinto. Entre 1886 e 1890 foram feitas as seguintes obras no Parque, pela Cia. das Águas Minerais de Caxambu: captação das fontes, montagem de “chalets” (Viotti, D. Pedro, Princesa Isabel); construção do Estabelecimento Balneário; retificação o Bengo em 2 Km; ajardinamento, arborização e gradil do parque; montagem do Hotel da Empresa, na chácara do Cel. Theodoro de Carvalho.

1891 » Implantação da via ferroviária em 15 de março.

1891 » Confirmação em 14 de setembro, por lei estadual nº 02, da criação do distrito de Caxambu.

1893 » Realizada a análise das águas, por uma comissão de químicos da Academia Nacional de Medicina.

1897 » Inaugurada, em 19 de novembro, a Igreja de Santa Isabel da Hungria.

1901 » Decreto datado de 16 de setembro cria a Vila de Caxambu, desmembrada do Município de Baependi.

1903 » As águas de Caxambu ganham Medalha de Ouro na Exposição Internacional Victorio Emanuelle III, em Roma.

1904 » As águas de Caxambu ganham Medalha de Ouro na Exposição Internacional de Saint Louis, nos EUA.

1910 » A Empresa de Lambari, Cambuquira e Caxambu recebe diploma de honra na Exposition Universelle de Bruxelles, pelas águas da Fonte Intermitente (Beleza).

1912 » Data inscrita nos vitrais do Balneário e alguns projetos de pavilhões das fontes, vindos da Bélgica.

1913 » Data inscrita no coreto da Praça 16 de Setembro – provavelmente de sua construção

1915 » O município é elevado à categoria de cidade em 18 de setembro

1918 » Trabalho de Francisco da Silva Reis, o Chico Cascateiro, no Parque.

1919 » Inaugurada, em março, a iluminação elétrica do Parque. Visita de Rui Barbosa à cidade, na qual afirma: “Visitei, percorri, desfrutei por um mês, com admiração e encanto, o Parque das Águas, a organização do seu serviço, o sistema de exploração de seus produtos. É a medicina entre jardins de uma florescência deslumbrante (…)”.

1928 » Realização do Congresso das Estâncias Hidrominerais em Cambuquira. Durante este ano, o Parque das Águas foi visitado por um total de 13.391 pessoas.

1937 » Visita de Getúlio Vargas à cidade para inauguração da estrada de rodagem Areias-Caxambu.

1943 » Projetos paisagísticos para reforma do Parque.

1949 » Demolida a torre meteorológica. O seu relógio é transferido para o prédio do balneário

 

 

Texto: Mariana Gravina Prates Junqueira
Secretaria de Turismo e Cultura